domingo, 15 de novembro de 2009

Oito e meia Arpoador

Não importa mesmo o que estamos fazendo, não temos um deus ou dez, não sabemos como viemos parar aqui. E esse dia raro é a prova que posso tocar a superfície do céu
Quente, em brasa, o mar arrebenta aqui perto dos meus pés e não sinto medo, não sinto nada além. Só estou pisando no infinito, respirando brisa e música.
É bonito ver os nós dos seus dedos enquanto afina o violão, e a risada gostosa que transborda pelos cantos da boca, dos dentes, dos olhos.
Tudo em nós se acende e enverga, aquela tatuagem se mexe nas suas escápulas então
você liga as sardas das minhas costas salgadas, elas não são estrelas que começam a estampar esse céu, eu sei que nós brilhamos mais.
Levaremos isso para sempre, carregaremos essa presença em cada veia que nos une.
Então nada mais parece difícil, nada pode morrer quando o sol mergulha fazendo o mar virar fogo, absoluto.
A mão entrelaçando os dedos nos meus e assim por conseguinte, desenha quem somos
uma corrente como a dessa maré, divinos e insensíveis a tudo que não nos pode tocar.
Nós conseguimos, fazemos coisas iguais de mil maneiras mais.
Que nos mostra tão ímpares desse reflexo raso do qual não temos nada a ver.

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