
Tenho os nervos à flor da pele, tenho a mão direita cortada por cacos de vidro e chorei a manhã inteira.
meus pulsos dóem e minha boca amarga, hoje eu matei uma pessoa.
Simplesmente acontece, parece que fiquei cega, eu vi tudo de fora como um espectador, mera terceira pessoa sem direito de opinar pelos atos de outro eu, totalmente fora de si.
Os cacos do copo estão por toda a cozinha, estourei-o na pia e me cortei sem querer, não dói de verdade, não profundamente, mas me faz sentir algo, como quem diz que ainda há vida.
E então nasci de novo sem morrer, mais um pouco de mim sobreposto, como reflexos que se reproduzem no infinito circular, frente a frente consigo mesmo.
Fica no ar a dúvida de quando isso vai findar, o defunto ali em cacos era eu.

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